Embalar parece a parte fácil de uma mudança e é a parte que decide quanto chega inteiro. Quase tudo o que já vimos partido partiu-se por causa de uma de cinco ou seis coisas — e todas se evitam.
Isto é a técnica. Quanto custa embalar e quanto tempo demora está na página do serviço de embalagem — aqui descrevemos o que acontece de facto aos seus pratos.
Os materiais vão connosco. O que sobrar volta connosco e não é cobrado.
Dois tamanhos de caixa, e mais nenhum. Pequena para livros e para tudo o que é denso, grande para volume leve — uma caixa grande cheia de livros é uma caixa que ninguém levanta e um fundo que cede nas escadas.O papel toca no objeto, o plástico-bolha vai por cima do papel. Plástico-bolha encostado diretamente a uma superfície polida deixa o próprio padrão marcado quando está calor.
Uma regra sobre o filme que não abrimos exceção: nunca toca diretamente numa superfície polida ou folheada. O filme retém humidade contra o verniz, e a fita arranca o acabamento quando sai. Primeiro a manta, o filme por cima.
Mantas de mudanças — coberturas acolchoadas para a mobília. Absorvem as pancadas que o filme não absorve.
Filme aderente — segura a manta no sítio e mantém gavetas e portas fechadas. Vai por cima da manta, nunca diretamente sobre a mobília.
Plástico-bolha e papel para as peças frágeis, uma a uma.
Caixas em dois tamanhos — e isto conta mais do que parece, ver abaixo.
Caixas-roupeiro com cabide, para a roupa viajar pendurada e chegar vestível.
Proteções de cantos e passadeiras de chão para o próprio prédio.
As seis regras que evitam que as coisas partam
Mais ou menos por ordem de quantas vezes são ignoradas.
Os pratos viajam ao alto, não empilhados. Uma pilha de pratos é uma coluna que passa todo o peso pelo prato de baixo. Ao alto, cada prato carrega só o seu. Embrulhados um a um e postos ao alto, quase nunca partem.
Os livros vão em caixas pequenas. Não por serem frágeis, mas porque uma caixa grande de livros pesa mais do que alguém deve descer quatro andares. Caixas pequenas para o que é denso, grandes para o que é leve — roupa de cama, almofadas, casacos.
Encha a caixa até cima. O espaço vazio cede com o peso da caixa de cima, e o conteúdo desloca-se na primeira curva. Toalhas, papel, meias — o que servir para tapar buracos.
Mas também não encha demais. Uma caixa cuja tampa não fecha à face não se empilha, e uma caixa que não se empilha ou viaja solta ou esmaga a que está por baixo.
Copos em caixa com divisórias, de pé. Deitados rolam uns contra os outros. Os pés levam papel enrolado primeiro.
Líquidos em caixa própria, ao alto, no topo da carga. Os produtos de limpeza derramam, e derramam para cima do que estiver por baixo durante toda a viagem.
Etiquetas: a divisão para onde vai, não aquela de onde saiu
É este hábito que distingue desempacotar de escavar.
Uma caixa marcada «cozinha» não diz nada de útil à equipa na casa nova, porque nunca viram a sua cozinha antiga. Uma caixa marcada com a divisão a que pertence agora vai direta para lá e nunca passa pelo corredor.
Escreva na lateral, não na tampa. Numa pilha, a tampa é precisamente a face que ninguém consegue ler. E marque as frágeis em dois lados — quem pega na caixa nem sempre é quem a fechou.
Uma palavra e um número: a divisão, e depois qual caixa de quantas. É o número que lhe diz, às onze da noite, que não ficou nada na carrinha.
Divisão a divisão, e onde o tempo se vai mesmo
A cozinha é sempre a mais lenta e sempre aquela que as pessoas subestimam. Não é o volume — é que quase cada objeto precisa de ser embrulhado sozinho.
Os roupeiros andam mais depressa do que se espera, porque a roupa pendurada passa direta para o cabide da caixa-roupeiro. As gavetas, curiosamente, demoram mais: o conteúdo tem de sair, e o que sai de uma gaveta nunca é de uma só categoria.
Livros e estantes são rápidos mas pesados, por isso embalam-se cedo, enquanto ainda há chão para empilhar caixas pequenas.
Embalamos na véspera, não na manhã da mudança. Embalar e carregar no mesmo dia é fazer as duas coisas à pressa — e as caixas feitas à pressa são as que chegam a chocalhar.
Trazemos cerca de um terço mais caixas do que a vistoria pede. Ficar sem caixas às nove da noite é o que transforma dia e meio de embalagem em dois dias.
O que deve levar consigo
Não porque os perdêssemos, mas porque estão excluídos do seguro de mercadorias praticamente em todo o lado — a carrinha é o sítio errado para eles.
Dinheiro, joias, relógios.
Passaportes, documentos de residência, contratos, tudo o que exigiria fila para substituir.
Portáteis e discos externos, ou pelo menos as cópias de segurança.
Chaves — incluindo as da casa nova.
Medicação e o que precisar nas primeiras vinte e quatro horas.
A última é prática, não legal. A chaleira, uma muda de roupa, o carregador, papel higiénico — ponha tudo numa caixa, marque-a, e entre na carrinha em último para sair em primeiro. A noite de uma mudança não é altura para abrir quarenta caixas à procura de uma toalha.
Se for você a embalar
Muita gente embala, e é uma forma razoável de gastar menos. Vale a pena saber duas coisas antes de decidir.
Primeira, a divisão que funciona melhor: você embala os livros, a roupa, os têxteis e tudo o que não parte, e deixa connosco a cozinha, o frágil e os equipamentos. É aí que a técnica conta e é aí que o tempo se gasta.
Segunda, a honesta: as caixas embaladas por si e não abertas por nós ficam fora da cobertura do seguro. Se a caixa chega sem dano, ninguém consegue estabelecer em que estado estava o conteúdo quando foi fechada. É o padrão do setor e não uma regra nossa — explicamos como funciona a cobertura no guia sobre seguro de mudanças.
Em resumo
Pratos ao alto, embrulhados um a um. Livros em caixas pequenas. Encher os vazios.
Etiquetar com a divisão de destino, e escrever na lateral da caixa.
O filme vai por cima de uma manta, nunca direto sobre verniz ou folheado.
Embalar na véspera, não na manhã da mudança.
Levar consigo documentos, dinheiro, joias e chaves — estão fora da cobertura.
As caixas que embalou e chegam intactas ficam fora do seguro.
Mostre-nos a casa numa videochamada de dez minutos e recebe um preço fixo por escrito dentro de uma hora, com a embalagem discriminada à parte para poder decidir.
Cerca de vinte a vinte e cinco para um estúdio, quarenta a sessenta para um T2. Depende muito mais dos livros e da loiça do que do número de divisões. Levamos o necessário e só cobramos o que for usado.
Compensa embalar eu próprio para poupar?
É uma poupança razoável. Embale os livros, a roupa e os têxteis e deixe a cozinha e o frágil connosco — é aí que a técnica conta. Tenha presente que as caixas que fechou ficam fora da cobertura do seguro.
Podem embalar no mesmo dia da mudança?
Podemos, e preferimos não. Embalar e carregar no mesmo dia obriga a fazer as duas coisas à pressa. Na véspera é mais calmo e o resultado nota-se.
E a televisão e o computador?
Caixas originais, se ainda as tiver; caso contrário embrulhados em manta e transportados na vertical, nunca deitados. Os ecrãs racham por pressão no painel, não por pancadas na moldura.
Levam os materiais de embalagem depois?
Levamos, a pedido, e o material não usado volta connosco sem ser cobrado. O cartão usado podemos levar para reciclagem se preferir não tratar disso.
O que não pode ser embalado de todo?
Tudo o que seja inflamável ou sob pressão — botijas, solventes, aerossóis em quantidade. Líquidos abertos devem ser acabados ou deitados fora em vez de viajarem.