Uma casa maior não precisa de um camião maior — precisa de um plano. Dentro de Lisboa e arredores as distâncias são curtas, por isso fazemos várias viagens com a mesma equipa ao longo de um ou dois dias. As mesmas pessoas, o mesmo cuidado, um preço fixo combinado à cabeça.
Uma carrinha de 3,5 toneladas leva cerca de 13 m³. Uma moradia tem muitas vezes 35 m³ ou mais, por isso a resposta óbvia é um camião maior. Em Lisboa a resposta óbvia falha com frequência, porque os bens domésticos pesam à volta de 100 kg por metro cúbico — um camião de 22 m³ esgota a carga útil legal muito antes de esgotar o espaço.
A segunda razão é o acesso. Um camião de 12 metros não chega a imensas moradas de Lisboa, e entre as que não alcança estão precisamente as ruas onde ficam as casas melhores. Fica ao fundo da rua e tudo vai ao ombro, o que custa mais do que teria custado a viagem extra.
Por isso fazemos viagens faseadas com a mesma equipa. Dentro de Lisboa e arredores o regresso são quinze a trinta minutos, mais barato do que a hora de transporte manual que um camião grande obriga. Numa mudança de longa distância as contas invertem-se, e dizemos quando isso acontece.
Uma moradia T3 dentro de Lisboa costuma ser um dia inteiro e três viagens: quartos primeiro, sala e cozinha depois, garagem e jardim no fim.
Tudo o que tem jardim acrescenta uma ou duas horas que ninguém planeia. Mobiliário de exterior, vasos com terra dentro, um grelhador, ferramentas e às vezes uma arrecadação inteira de coisas que não se mexem há anos.
As moradias em Cascais, Oeiras e Sintra são as que fazemos com mais frequência, e aí a estrada é uma componente real e não um arredondamento. É orçamentada como um valor fixo de distância acordado à cabeça, nunca como tempo ao contador.
Uma mudança em dois dias é por vezes a melhor resposta: carregar e transportar no primeiro, descarregar e montar no segundo. Custa um pouco mais e produz um segundo dia bastante melhor, sobretudo com crianças em casa.