Mudanças em Alfama

Alfama foi desenhada muito antes de alguém imaginar uma carrinha. As ruas viram escadinhas sem avisar, a numeração segue uma ordem que só o carteiro domina, e uma porta que parecia larga na fotografia acaba por ser mais estreita do que o sofá. Trabalhamos aqui com frequência suficiente para nada disto nos apanhar de surpresa. Significa, isso sim, que uma mudança em Alfama se planeia de outra maneira — e o planeamento é feito antes de reservar, não na manhã do dia.

O que uma mudança em Alfama implica de facto

Grande parte de Alfama fica dentro da zona de acesso automóvel condicionado dos bairros históricos. Entra-se com um cartão de acesso entregue no momento em que é atribuído o dístico de cargas e descargas — válido por um ano e emitido mediante certidão do registo comercial, documento único automóvel e certificado de inspeção válido. É este último requisito que pesa mais do que parece: uma equipa sem atividade aberta, com uma carrinha emprestada, não o consegue ter. Por isso estaciona mais longe e carrega mais. Reservar o lugar à porta é outro processo. A licença de ocupação da via pública é emitida pela Câmara Municipal de Lisboa; se os lugares ficarem em zona gerida pela EMEL, o pagamento à EMEL faz-se depois. Caro não é. É demorado, e tem de começar com dias de antecedência, não na véspera.

Os prédios, e o que fazem a um roupeiro

Quatro e cinco andares, quase todos mais velhos do que a ideia de elevador. Os pés-direitos são altos, o que é ótimo para viver e péssimo para subir um roupeiro, porque a escada vira apertada em cada patamar. É na volta que os móveis ficam presos, quase nunca no lanço.

As janelas são pequenas, por isso o guindaste que resolve o problema nas ruas mais largas da Graça raramente serve aqui. As portas são muitas vezes as originais, e originais quer dizer estreitas. Na vídeo-visita medimos as duas ou três peças com maior probabilidade de dar discussão — normalmente sofá, frigorífico e colchão de casal. Se alguma não passar na porta de entrada, fica a saber com uma semana de antecedência e não com a peça entalada a meio da escada.

Como corre o dia, na prática

A carrinha fica onde uma carrinha pode ficar, e a partir daí é vaivém. Percorremos o trajeto a pé antes de pegar seja no que for, para que ninguém descubra um degrau inesperado com o lado pesado de uma estante nas mãos.

Do lado nascente, os parques mais próximos são normalmente o Portas do Sol ou o Campo das Cebolas; o Chão do Loureiro fica mais perto do castelo. Há duas opções ali ao lado que parecem convenientes no mapa e não nos servem de todo — o Pavilhão da Graça e o Condomínio Graça são exclusivos a residentes e comerciantes.

O 28 passa por várias destas ruas. Uma carrinha a bloquear aquela linha é problema do bairro inteiro e não só nosso, por isso trabalhamos com o horário do elétrico e não contra ele.

O que faz mesmo o preço em Alfama

A distância entre a carrinha e a sua porta, e o número de degraus pelo meio. Não há segundo fator sequer próximo. Um segundo andar a vinte metros de um lugar onde se possa parar sai mais barato do que um rés-do-chão ao fundo de um beco de cem metros com duas escadinhas.

Para o mesmo volume, Alfama fica na zona alta do nosso intervalo. Conte com isso — e conte vê-lo por escrito antes de fechar. Se a rua se revelar mais fácil do que o mapa sugeria, o preço dado mantém-se. Também não sobe.

Perguntas sobre mudanças em Alfama

A minha rua é estreita demais para uma carrinha. É problema?
Aqui é o caso normal, não a exceção. Na videochamada verificamos o acesso pelo mapa, decidimos onde a carrinha para e que distância é feita a pé, e essa distância entra no preço fixo.
Cobram a mais por causa das escadas?
Não. As escadas são contadas antes de reservar, nunca acrescentadas depois. Em Alfama partimos sempre do princípio de que há escadas e orçamentamos assim.
Conseguem reservar um lugar à minha porta?
Às vezes, e precisa de antecedência. A licença é emitida pela Câmara Municipal de Lisboa e o pagamento dos lugares geridos pela EMEL trata-se à parte, por isso diga-nos na vídeo-visita e não dois dias antes. Em alguns becos simplesmente não há lugar para reservar — nesse caso planeamos o transporte ao ombro.
E se o sofá não passar na porta?
Descobrimos isso na vídeo-visita, não no dia. Quase sempre resolve-se tirando a folha da porta ou os pés do sofá. Quando mesmo não passa, dizemos cedo, para poder decidir se o vende antes da mudança em vez de depois.

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